Gestão e liderança: uma questão de método

Gestão e liderança: uma questão de método

A preocupação com a precisão dos números sempre foi uma característica de meu pai. Como bom químico industrial, era detalhista, dedicado e dotado de uma grande capacidade de concentração e análise. Traços marcantes de sua personalidade que, desde cedo, influenciaram o meu olhar sobre o mundo. Uma visão forjada a partir da perspectiva científica, da disciplina e do compromisso com o método.

De fato, a educação rígida recebida na infância, aliada ao pensamento lógico, antecipava valores e princípios que, mais tarde, seriam aplicados na faculdade de medicina e por toda a minha vida profissional. Ter a figura de meu pai como referência também fez com que eu, intuitivamente, incorporasse características de gestão e liderança.

Lembro-me quando, aos 16 anos, participei de uma organização juvenil judaica onde, juntamente com outros adolescentes, fui responsável por coordenar um grande grupo de crianças. Nossa missão consistia em elaborar atividades para elas e liderá-las no cumprimento dessas tarefas.

Esta experiência e o fato de ter sido exposto à permanente inquirição daqueles pequenos jovens me ajudaram a entender o que é ser um líder integrativo, indicando o que e como as coisas devem ser feitas.

Já no quinto ano de medicina, quando era ainda um jovem interno do Hospital das Clínicas de São Paulo, foi a minha vez de aprender a cumprir as exigentes tarefas que nos eram delegadas pelos residentes mais velhos.

Assim, a experiência de liderar um grupo na juventude, a residência aliada à pesquisa e minha vivência como cirurgião me ensinaram muito sobre como trabalhar em equipe e montar um time coeso.

Para isso, é preciso saber reconhecer as capacidades, especialidades e dificuldades de cada um, sem jamais exigir alguma ação de quem não tem determinado perfil para a tarefa. Este parâmetro de gestão representa um dos pilares do Grupo Ganep.

Cada uma de nossas empresas é constituída por profissionais que estão conosco há muitos anos. Pessoas que incorporaram nosso DNA corporativo e que compartilham a mesma visão de negócios. O que facilita muito a delegação de tarefas.

A liderança também estimula o empreendedorismo

Alguns de nossos colaboradores se desenvolveram a ponto de empreenderem. Se você que me lê é um líder e busca também se tornar um empresário, posso dizer que este é um caminho que traz muitos benefícios, mas também envolve riscos. Como já escrevi aqui, é preciso método para desenvolver um plano, captar finanças, pensar no marketing e tomar as decisões mais assertivas. Nesse sentido, ter uma boa dose de experiência é também fundamental.

Em outras palavras: deve-se trabalhar primeiramente em negócios sólidos (grandes empresas ou startups bem consolidadas) para depois, quando já tiver uma bagagem, buscar o próprio caminho. Se este é o seu objetivo, é importante lembrar algumas premissas essenciais:

1 – Não existe caminho fácil.
2 – Trabalho chama trabalho porque dá trabalho.
3 – Saiba muito bem o que deseja, mas trabalhe sempre com ética.
4 – Não aceite não como resposta.
5 – Persista, sempre.

Boa sorte e até a próxima!

O pensamento científico como filosofia empresarial

Eu era ainda um jovem cirurgião assistente quando esta frase me foi dita pelo Professor Dr. Joaquim José Gama Rodrigues, hoje Titular Emérito de Cirurgia do Aparelho Digestivo da FMUSP. Assim como ele, outros grandes mestres me ensinaram que, mais do que buscar resultados rápidos, é preciso investir no trabalho contínuo e amparado pelo raciocínio metodológico.

Preceitos reiterados na convivência com o Professor Dr. Peter Furst, da Universidade de Hohenheim – Alemanha, meu mentor científico que reforçou, anos depois, os ensinamentos recebidos pelo Professor Dr. Ernesto Lima Gonçalves e professores colaboradores no Laboratório de Metabologia Cirúrgica na FMUSP.

Assim, a estrutura do pensamento científico e seus princípios metodológicos, alicerces da minha formação em medicina, foram também incorporados à minha atividade empresarial. Afinal, tanto na ciência como em outras áreas, qualquer ação que se pretenda bem sucedida exige método.

Esta premissa constitui a base de minha trajetória como empresário e de toda a expansão do Grupo Ganep. Cada um de nossos projetos, antes de ser posto em prática, deve responder a seis perguntas fundamentais:

1. O quê? O que deve ser feito/desenvolvido/testado e qual é o público-alvo.

2. Por quê? Quais os motivadores para essa ação.

3. Quem? Quais pessoas devem ser envolvidas e suas responsabilidades.

4. Como? De que forma a ideia será realizada, quais os objetivos.

5. Quando? Qual o momento mais oportuno e quais os prazos.

6. Onde? Em quais regiões e áreas se pretende atuar.

É através dessas respostas que desenvolvemos planos e cronogramas para empreendermos novas iniciativas.

Ao pensamento lógico e dedutivo, soma-se outro fator determinante: a intuição. Para enxergar além, é preciso pensar “fora da caixa”, exercer o lado criativo e incorporar sempre novas tendências. Uma prática contínua que compartilho com nossos colaboradores e lideranças todos os dias.

No próximo post, abordarei aspectos importantes sobre liderança. Se você tem interesse em empreender, acompanhe a publicação da próxima semana.

Até lá!

GANEP NUTRIÇÃO HUMANA, fundado em 1981, é a maior instituição especializada em terapia médico-nutricional no Brasil e a primeira Empresa Prestadora de Bens e Serviços em Terapia Nutricional (EPBS) cadastrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.